terça-feira, 27 de junho de 2017

MAIS REALIDADE: O SEMPRE NO NUNCA


Foto: Ultra Alliens na Avenida Paulista, por Davi Buarim. Junho de 2017.

Parece um rio, mas é uma avenida. A Paulista em dia de feriado – fechada para o trânsito dos carros, inundada de gente circulando – pulsa de vida, de diversidade, de histórias. Pisar nesse chão pela primeira vez – a passeio, depois da morte do meu marido, na companhia dos nossos filhos – fez correr em mim um rio de sentimentos, memórias e elaborações. A Paulicéia Desvairada que, depois da minha Brasília, certamente é a cidade mais importante na minha história.

Nela, dei os primeiros voos autônomos da vida adulta, depois de entrar na universidade e, mais tarde, consolidei projetos pessoais e profissionais importantes. São Paulo é densa, complexa, nada óbvia. Exige entrega sem preconceito para se deixar conhecer. Mas, quando a gente deixa, surpreende com sua beleza misturada, contida e derramada. As contradições da grana, a força da rua e do concreto e uma efervescência insuspeita.

Logo na chegada ao hotel, recebemos como presente de boas-vindas uma lata de cerveja comemorativa da parada do orgulho gay, que aconteceu no domingo seguinte à nossa visita. Entramos no táxi, logo depois, e o motorista mais velho mostra um entendimento completamente diverso do mesmo evento: “Domingo a Paulista vai estar fechada só para os gays, viu?”. Quase pergunto se será preciso apresentar uma carteirinha de identificação para passear por lá, mas desisto e só tomo nota.

Por algum motivo, não consigo chamar a Consolação, para onde quero ir, de outro nome que não Constelação. Mais uma das minhas confusões habituais, motivo de riso e diversão na nossa família, e que continua. Alguns passos na Paulista, a partir da Consolação, e tropeçamos num grupo de “Ultra Alliens” invadindo a área com um som temático, que tem como característica principal o vocalista produzindo com as mãos interferências numa antena de rádio, amplificadas pelo sistema de som, e acompanhado de outros músicos vestidos de macacão branco tipo NASA e máscaras de extraterrestre. Um pouco adiante, Elvis Presley evangélico, de afinação duvidosa, cantando em inglês, estranhamente um repertório nada Elvis, e abençoando os passantes, chamando para fotos os cadeirantes ou pessoas com alguma deficiência.

Mais alguns passos, e chegamos ao forró, com direito ao mano de camisa do Coringão dançando com as minas, em passos um pouco heterodoxos.  Um homem com um boneco de marionete que toca um piano, em miniatura, chama a atenção do meu filho mais novo. Mais cliques.

Continuando a caminhada, ouvimos gritos e imagino uma manifestação “Fora Temer!”. Nada. Chegamos mais perto para descobrir o motivo do frisson. Pergunta daqui e dali e eram duas celebridades do YouTube, dando sopa, no meio da Paulista e fazendo a gravação de um programa de televisão a cabo. O rosto do meu filho se ilumina.  “O Ted e o Muca Muriçoca estão aí”, grita animado. E eu, na mesma. É a idade! Ele queria ver os dois de perto, tirar foto. Um homem dá a dica: “Você é pequeno, entra por baixo do pessoal, quando chegar no segurança, chora que eles te pegam!” Ele pensou e até tentou se enfiar no meio, mas já não é tão pequeno assim. Uma mulher vê e se oferece para ajudar a colocá-lo nas costas da minha irmã, a mais alta e forte do nosso grupo. Somos três mulheres – eu, minha filha mais velha e a desconhecida – fazendo um guindaste para ele subir no cangote da tia. Todas juntas, em trabalho de equipe, nos aproximamos do círculo, apoiando as costas dele por trás, para evitar uma queda e tentar ajudar um pouco a minha irmã que está na base com todo o peso. Deu certo! Registro feito. Saio chorando de rir pelo inusitado da cena e pelo colorido da interação com desconhecidos em meio à Paulista. Não tem preço.  

De noite, tem volta à cantina italiana onde pedi para executarem “Io que amo solo te” na nossa mesa, anos atrás, com direito a dedicatória ao meu amor, mais vermelho que pimentão e completamente avesso a esse tipo de exposição. Meu coração aperta de alegria por trazer a nossa duplinha ali, como tínhamos planejado tantas vezes, junto com saudade, tristeza e a consciência que o tempo traz de que ele não vem mesmo.  Estar ali, assim, em três dimensões temporais simultâneas – o passado, o hoje e o adiante – e só um coração, deve ter transformado minha expressão. “Pode chorar mãe, tudo bem”, dizem os dois “ourinhos” que ele me deixou, quase em coro, me autorizando a botar para fora o que me apertava o peito. E as lágrimas caíram.

Terá sido má ideia ir ali?! E agora? Como encontro o conforto neste lugar para conseguir jantar? Aí, entram os músicos, senhores de terno de ar muito grave, empunhando um violão, uma sanfona e um violino, e começam a tocar. O coração acelera e, ao mesmo tempo, acalma. Uma frase do livro “A Elegância do Ouriço” de Muriel Barbury, me vem à cabeça e vai acomodando as abóboras na carroça.
 
No livro, a menina perde uma grande amiga, tipo mãe, e ao escutar uma música (sempre ela!) sente algo que descreve como “um sempre no nunca”. Então é isso?! São Paulo, a estação da Luz, o mercadão, um sanduíche de mortadela, nossos filhos e tantos outros momentos adiante serão assim. O que não significa nenhum tipo de incapacidade e nem retira o meu direito de gozar da alegria e do prazer que também seguirão fazendo parte dessas experiências e desses lugares. Mas pede (ou será exige?) que eu ACEITE e não me ASSUSTE com os ritmos diferentes que podem agitar meu coração aqui e ali, onde ele vai sempre estar presente, sem nunca mais voltar.
  


terça-feira, 28 de março de 2017

ROBÔS

Foto: Marina Oliveira.

Meu filho mais novo adora tecnologia. Aos 11 anos, acompanha tudo o que acontece nesse campo via YouTube, assim como todos da sua geração, interessa-se até mesmo pelas grandes negociações, compras e vendas desse mercado, me atualizando sempre sobre as cifras de cada uma das movimentações milionárias. No carro, um dia, me contou que havia assistido à palestra de um dos grandes executivos do Google afirmando que, em 2049, a inteligência artificial irá superar a humana. Eu fiquei bem séria e perguntei: “Será mesmo verdade?”. “Claro, mãe, pode contar!”, respondeu sorrindo e emendou: “Você ficou triste?”. “Claro que fiquei! Como assim, quer dizer que os robôs vão dominar o mundo?!”....

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segunda-feira, 6 de março de 2017

CARNAVAL


Foto: Margarida Cristiana Napoleão Rocha, tirada na Tailândia, no Carnaval de 2017.

Sempre me intrigou o fato da data desta festividade ser determinada pela primeira lua cheia do ano. Para quem não sabe, o período de Carnaval muda ao sabor da lua cheia, e de quando ela resolve dar as caras no céu, em janeiro. Nunca me pareceu muito lógico, aliás, que uma época marcada pelo relaxamento das normas sociais pudesse ser uma festa cristã, inaugurando a quaresma, tempo de penitência. Afora essa aparente contradição entre as coisas do corpo, pagãs em sua essência, e do espírito, ligadas à religião, que sempre observei com relação à folia de momo, comecei o feriado escaldada da experiência dos dois últimos carnavais, de 2015 e de 2016, absolutamente tenebrosos. Estar de luto em meio à alegria eufórica da multidão é profundamente angustiante, parece que multiplica em muito a força e o peso de qualquer dor...

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

TELHADO DE GRAMA





Andei sumida, sem escrever, matutando e tentando fazer minhas pazes com o tempo. Nesse período, algumas imagens me marcaram. Um barco sem motor atracado próximo da praia em João Pessoa, sendo jogado em todas as direções pelas ondas, e ao sabor delas. A estrada que corta os morros de Araguari, Minas Gerais, com seu traçado curvo, pista simples e muito movimento de caminhão. E o mato que tomou conta do meu querido e problemático telhado de grama, desde o final do ano passado.

Os passarinhos, uma das coisas mais lindas desse pedaço da casa, trouxeram ervas daninhas de vários tipos e fizeram uma plantação delas por lá. Ficou impossível retomar esse espaço, sem refazer completamente o bendito. Ah! Os baldes móveis no chão do meu quarto para aparar as goteiras dinâmicas da estação de chuvas também é outra das imagens marcantes desses meses.

Como diz meu filho mais novo, não estou falando coisa com coisa. Mas tenham um pouco de paciência comigo e vão entender o que tem o telhado de grama a ver com minhas pazes com o tempo. Hoje recebi uma mensagem do meu amigo português, poesia e filosofia puras, um presente, sempre, essa nossa correspondência. No Natal de 2016, soube que ele havia perdido a netinha de apenas três anos, vítima de um estúpido acidente doméstico. Desde então, ele não havia dado sinal de vida, apesar das mensagens enviadas.

Mas, para minha felicidade, ele retomou a comunicação com o mundo e me deu a honra de receber notícias, num texto sobre o qual falava principalmente sobre o TEMPO. Esse que não passa e anda feito caracol, segundo ele, embora eu ache que está mais para lesma (não sei se elas existem em Portugal), quando a gente está no fundo de um alçapão, esperando resgate, sabe-se lá QUANDO, vindo sabe-se lá de onde. E assim é o tempo das grandes perdas, do luto, das separações irrevogáveis, da doença, enfim, de todos esses eventos dolorosos e, sim, normais na vida por aqui.

Mas, estranhamente, esse mesmo tempo voa para o mundo e todos os que nos rodeiam, nele acontecem milhares de coisas boas e ruins, e a gente, no tempo do alçapão, sente que está devendo às pessoas e a nós mesmos, porque todo tempo é para ser vivido, aproveitado, sorvido até a última gota porque não volta mais, mas a gente simplesmente não consegue e tem que aceitar isso também, além de tantas outras coisas indigestas.

Do lado de cá do Atlântico, essa reflexão me atingiu como um raio. Como se, de repente, o sentido das imagens que me marcaram, nesses meses de silêncio, e os sentimentos que hoje tomam conta do meu coração, ficassem claros. Dois anos se passaram desde que caí no alçapão. Lá dentro, travei batalhas violentas com o TEMPO - o que ficou para trás sem possibilidade de retorno, o que foi absurdamente negado ao meu marido e a mim tão cedo na nossa história, o que está pela frente e parecia uma eternidade intragável, quase um castigo, lá do fundo do alçapão. Também o meu tempo, 42 anos completos, sem a menor ideia do próximo passo, sem o frescor e a inocência dos 26 anos, quando conheci meu amor.

O tempo da IMPOTÊNCIA, a mesma do barquinho em João Pessoa, do carro na estrada em Araguari atrás de uma fila enorme de caminhões, do mato que tomou conta do meu telhado e da goteira no meu quarto. Um tempo que, embora seja o meu maior patrimônio neste mundo, não me pertence completamente porque sou obrigada a compartilhá-lo com circunstâncias alheias à minha vontade. Pior, um tempo que não dá garantias a ninguém, nem consulta sobre o momento mais adequado para nada.

Mas é também o tempo que traz um sorriso olho no olho, que faz o coração pulsar novamente pela VIDA de aqui e de AGORA, meio desconfiado e tonto, com certeza, mas com um interesse renovado no porvir e não apenas no que se foi. E, logo depois, o mesmo tempo lembra que não existe portal de retorno ao que se perdeu e que não dá para roubar, fingindo que aceitou a perda e buscando o tempo inteiro recompor o que não existe mais. À revelia da nossa mais profunda vontade de chegar ao famoso FINAL FELIZ, o tempo mostra de forma contundente que o novo exige paciência, humildade, perseverança e criatividade para ser construído, dia-a-dia, até um desfecho provavelmente diferente do que nós esperamos.

Traz também presentes que já não esperávamos mais receber a essa altura da vida, como o pai que eu sempre quis e que agora, depois de tantos percalços, TENHO. Quem diria? Não que ele não estivesse estado sempre ao meu lado, mas antes havia barreiras dos dois lados a serem vencidas para que pudéssemos nos aceitar assim, sem reservas, como hoje. E só o TEMPO pode abençoar alguém com uma alegria desse porte, junta, misturada e intimamente relacionada com as toneladas de dúvidas e perplexidades dos últimos anos.

Fazer as pazes com o tempo talvez seja ACEITAR que o TEMPO do TEMPO é o TEMPO exato, nem antes, nem depois, só na hora. Isso não garante ausência de dor ou novas perdas no horizonte, mas alivia o sofrimento porque se para de querer “resolver” a vida por entender que ela simplesmente não tem solução e nem chegada, só fluxo contínuo. É o que a casa oferece.  

Voltando ao telhado de grama, decidir, ainda em meio a um futuro profissional indefinido, refazê-lo agora pode ser visto por alguns como uma temeridade. Mas foi isso que fiz e não me arrependi. Ficou lindo! Preservou o espírito de antes, com uma cara NOVA, minha, de HOJE, saindo lentamente do alçapão, sem resgate e pelas próprias pernas, mas com uma torcida igual a do Flamengo, em número, e a do Corinthians, em entusiasmo e fidelidade, me dando força! Morrendo de medo de ser subitamente jogada novamente lá no fundo, mas certa de que o TEMPO está do meu lado porque finalmente estamos em paz.  

PS - Este texto eu dedico com todo amor ao meu amigo português e à sua filha, que não conheço, mas que me foi descrita como uma verdadeira guerreira Samurai, para que se lembrem, lá de onde o tempo não passa NUNCA, que ele trabalha por nós sempre, mesmo quando parece o contrário.

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

VIRTUDE DO ANO


Foto: Mila Oliveira. Fevereiro de 2016. Por do sol no Arpoador.

Fim de ano tem sempre aquele momento de balanço e eleição dos melhores disso e daquilo. Tem horas em que cansa, mas parece que a gente sente falta de não participar dessa febre de avaliações sobre os últimos 11 ou 12 meses, como se eles não fizessem parte do conjunto dos últimos 10 mil meses, mas estivessem separados deles, no tempo, como uma fatia de pizza. Então, não resisti a fazer minha própria versão dos melhores de 2016, escolhendo uma virtude que, dentre todas, se destacou para mim este ano...

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sábado, 19 de novembro de 2016

CHUVA



Você sai de casa para abastecer o carro com gasolina mais barata e acaba enguiçada, com a bateria arriada, antes de chegar à bomba. Planeja uma festinha na sexta-feira à noite e a greve de ônibus joga sua vida de pernas para o ar logo cedo. Constrói um puxadinho para proteger da chuva a parede lateral da casa, e acaba acordada na madrugada por uma goteira dentro do seu quarto, no pé da sua cama. Dorme tranquila, abraçada com seu marido, depois de dias maravilhosos na praia, achando que vai amanhecer ao lado dele e, no meio da madrugada, acorda para testemunhar sua morte de infarto fulminante. Dá para pensar que a vida é, na verdade, uma série de imprevistos, alguns deles bem mais sérios do que outros, mas todos imprevistos.

A questão é como lidar com isso, sem ficar completamente insegura e apavorada só pelo fato de estar viva? Afinal, para ser elegível a um imprevisto, basta respirar. No jardim perfumado descrito no último texto, formou-se uma chuva inesperada em cima da minha cabeça. E não adianta brigar com a água, isso eu aprendi em doze anos de convivência com um telhado de grama caprichoso, que eu amo de paixão, mas que a cada estação traz uma novidade, dependendo do ciclo da chuva, da sua intensidade e de variáveis que eu nem imagino. Já foi a goteira no pé da escada, entre os quartos dos meninos, no corredor, no banheiro do meu quarto, em cima do meu armário, na cabeceira da minha cama e, agora, no pé dela. E, na maior parte das vezes, o jeito foi esperar, observar bastante, e só então agir para tentar amenizar a situação. E lá vou eu de novo retomar a observação, graças a outro movimento misterioso no meu bendito telhado verde.

Mas tem uma parte de mim que quer sempre resolver tudo. É de uma impaciência e de um imediatismo absurdos diante do luto, da dor, do desemprego, da escolha profissional da filha, do que vou fazer de mim pelo resto da minha vida, de como se recomeça a ter interesse em alguém, de como se sabe se alguém tem interesse em mim ou não, de como um interesse vira algo concreto... Enfim, todas elas questões prementes, inescapáveis mesmo, mas não passíveis de serem resolvidas com a objetividade e a rapidez que esse lado de mim EXIGE. Estão mais para a chuva no meu telhado de grama do que para um problema matemático com uma resposta certa e todas as outras absolutamente erradas. Pior. São respostas que se revelam no tempo e podem mudar a qualquer momento, sem que a gente tenha qualquer controle sobre elas!!

Observar sem se desesperar, nem se paralisar, eis a outra parte da questão. Será que cada um de nós tem uma cota de imprevistos na vida? Adoraria pensar que sim, mas aí ficaria louca para descobrir qual é, e se já estou perto de ter concluído a minha (o que seria perfeito)!! Mas se eu não pudesse saber o tamanho dessa cota, daria exatamente no mesmo, então deixa para lá.

No tarô, que sempre gostei de jogar, apesar de morrer de medo dele, tem a carta do eremita – em alguns baralhos mitológicos, como o meu favorito, também atende por Cronos, senhor do tempo. É uma carta que fala de velhice, de solidão, de espera, de limitações, de compreensões que só vêm no silêncio. O eremita anda sozinho, maltrapilho, carregando um lampião numa das mãos, único ponto iluminado na carta, mas tem um rosto sereno, misteriosamente iluminado, quase como o sorriso do Buda.

Desde que me entendo por gente, essa carta me persegue, aparece para mim quase toda vez que jogo um tarô. E hoje talvez comece a atinar a razão desse encosto no meu caminho. Eu PRECISO aceitar os limites, o tempo da espera até saber como agir para corrigir a goteira, até conhecer a diferença entre o movimento que vale a pena e aquele que só desperdiça energia. E, principalmente, a sabedoria de não me deixar impressionar tão profundamente nem pela impotência trazida pelos imprevistos, nem com a potência que nos vem quando temos a sensação de estarmos conseguindo contorná-los. As duas coisas fazem parte da mesma moeda, a do amadurecimento sereno, aquele que traz a compreensão de que estamos sempre em trânsito até o dia em que acabe o nosso tempo e que não há absolutamente nenhum mal ou ameaça nisso.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

JARDIM PERFUMADO



Uma frase de Carlos Drummond de Andrade anda passeando pelo ar, nos últimos dias: “A vida necessita de pausas”. E, numa dessas, me encontro a quatro meses completos. Uma espécie de licença sabática, bem merecida, diria sem falsa modéstia. Como uma andarilha vinda de uma longa caminhada em terras estrangeiras e nada luminosas, me sinto assim, repentinamente, morando num jardim perfumado, para pegar emprestada a expressão recebida por e-mail de um grande amigo português, há alguns dias. Esse leitor atento e perspicaz deste blog, um fato que muito me honra, aliás, sempre manda seus comentários periódicos e é uma alegria quando chegam à minha caixa de entrada...

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Lançamento em Brasília
Data: 29/09/2018 (Sábado)
Local: Bar Tiborna, CLN 403, Bloco B
Horário: 17H

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